Folhetim Francês – parte 1

•setembro 27, 2012 • Deixe um comentário

Hoje é apenas mais uma sexta-feira, Sebastiana fica em casa a espera do Lindinalvo, um hábito comum, que a mais ou menos 4 anos não se incomoda. Espera-o todos os dias como um verdadeiro ritual, com algumas mesmas perguntas, e pensando nas mesmas respostas que ele vai lhe dizer, como se trouxesse uma coisa nova e diferente. É o fato é que este ritual cotidiano faz com que os dois conversassem, troquem diálogo e as palavras saem de suas bocas rodando o seu apartamento. Tudo não passa de um casamento estranho, mas que todo mundo o reconhece como normal, o casal mais apaixonado que já viram. Os vizinhos estão sempre conversando com ela, sempre odiando ela e sempre pedindo ajuda a ela. E Sebastiana se encanta com tudo isso, com o poder de persuasão que ela tem.

Dasdores é mais uma outra senhora e verdadeira dona de casa, cuja dedica todo o seu tempo ao bordado, a casa e as brigas com o seu filho. Queria ela que o seu filho fosse tudo aquilo que ela sonha torná-lo ser: um moço organizado, o qual soubesse deixar em ordem (na sua ordem) o seu próprio quarto – e apenas; ao gosto de Dasdores, era que tudo se mantivesse muito aparentemente em ordem, na perfeição dos seus lugares, assim como os vizinhos exigem com seus olhares de recriminação, de descontentamento quando existe um fio de cabelo na sala.

E, para manter a aparência, e mesmo sabendo que as coisas não estão nada organizadas, Dasdores acredita piamente que esconder as bagunças é manter a casa arrumada, já que os seus vizinhos vão lhe elogiar pela casa arrumada. Ora, no entanto, Cristian acredita que toda essa disciplinaridade é apenas uma balela, mas que um pensamento contra o outro é um motivo de briga: para ela, é preciso mascarar tudo, precisa manter uma boa aparência para os seus vizinhos; e para ele, é preciso manter tudo da forma em que faz se sentir melhor, o conforto parte de dentro para fora. Está sempre discursando em que, já que ninguém o ajuda em nada, não tem que sem importarem com suas vidas. Dolores sempre se importava mais com os vizinhos e com o que acontecia nas ruas, do que com o próprio filho, às vezes, e com muita frequência, esquecia até mesmo como ele era, não sabia nem mesmo o que o deixava mais incomodado.

E na segunda feira pela manhã, Lindinalvo já se sentindo cansado martelava a caneta em sua mesa, como assim, martelava os pensamentos em sua cabeça.  Ele andava com o pensamento distante da realidade;, as pessoas percebiam que ele estava distante do mundo. E quando pensava que ainda estava de manhã e que a sol ainda se preparava para a virada de turno, sentia ainda mais desgosto da vida.

Lindinalvo odiava três coisas no mundo e  conseguia classificar por acreditar que a intensidade junto ao tamanho do seu ódio torna-se tão grandes que, por si só, já eliminariam qualquer limite que viessem a existir. No caso, ele odeia, sem mais e nem menos, o seu trabalho, o curso em que se formou e a realidade nua e crua em que vive.

A massa para ser lapidada.

•setembro 5, 2012 • Deixe um comentário

Nunca achei realmente algo que me impressionasse ou fizesse com que eu criasse totalmente o interesse em estudar “para sempre” , principalmente no período de 5 anos, que foi quando entrei na publicidade, no curso do qual acreditei ser a minha cara.

O que realmente acontece é que, existem períodos que me despertam o interesse em estudar assuntos de uma realidade empírica por forma de uma verdade cientifica, só que sempre relacionados ao comportamento humano, mas isso só acontece porque sempre fico impressionado (durante o momento) como os homens são capazes de relacionar a vida cotidiana (num aspecto macro) – essa realidade empírica que a pouco falei – com a racionalidade cientifica, e tudo por meio de discursos e palavras no longo de contexto histórico.

Lembro-me de um dia, quando estava construindo o meu projeto de monografia.  Eu dentro de um ônibus conseguindo identificar o que realmente queria de estudar, de conhecer e de aprender o que me afligia, me perturbava e me deixava ansioso, mas que ao mesmo tempo, me alegrava por identificá-lo . Mas, nesse momento, sem eu perceber, estava dando início ao sofrimento (eu estou com a pedra, mas como posso lapidá-la sem saber fazer uso das técnicas?). Continuei a pensar e a estudar, e nisso tive várias dúvidas, dentre elas: Como poderei expressar com clareza o que eu desejo apresentar a todos? Acredito que, pois, este será meu trabalho “eterno”, sobre o qual almejarei a minha perspectiva de futuro. Claro, sempre com o pensamento de querer estudar o que me mais incomodava, mas tentando ignorar sempre o que me indignava – e a coisa que tenho mais raiva é o curso em que estou me graduando. (E sei que é uma afirmação tão estranha quanto paradoxa). Quando penso no curso, imagino as pessoas, as disciplinas hipócritas (mas que são caras), alguns professores em que tive que conviver durante os meus cinco anos e como o curso em si absorve a inocência e a ingenuidade de alguns, que acreditam na “beleza e paixão” que o curso é capaz de oferecer, e num futuro próximo se frustam por um resultado já esperado: isso não existe, é um fetiche,como as propagandas. Essas coisas que mais geram, dentro de mim, um sentindo de desprezo, indignação e raiva do que alegria.

Hoje, no entanto, caso realmente exista um interesse em estudar algo especifico, reafirmo que, está voltado ao comportamento e os valores que constituem um indivíduo; é o sujeito em si. O que eu gostaria de estudar está na relação dos objetos com o sujeito, por representação simbólica. Os objetos, conseguem representar significativamente o homem em suas relações sociais. E como o homem consegue deixar isso acontecer? Como é capaz de trocar a sua relação com o outro (desejos, paixões e crenças) por uma nova relação constituída entre sujeito e objeto?

Essa substituição da relação homem com homem por homem com objeto acontece ao passo que se torna não perceptivo (aos olhos de todos), acontecendo somente uma mudança no comportamento de forma inconsciente. (Dimensões: simbólico, imaginário e real na psicanálise.)

Já, quando quis estudar Foucault, pensei que conseguiria relacionar o poder em que é discutido com está relação homem\objeto\homem. E novamente uma dúvida: Como todo esse processo é regularizado, quais os mecanismos são usados para tornar tudo uma necessidade verdadeira? (Fundamental:diferença entre desejo/inconsciente e necessidade de consumo)

Quando pensei sobre esse assunto, e fiz a escolha de Foucault, foi porque li um texto em que destaco o principal parágrafo “A liberdade é uma conquista, mas é também um fardo. Para aliviá-lo, faz 200 anos que inventamos um truque, graças ao qual, nos dilemas morais, 1) conseguimos afirmar que estamos decidindo sem obedecer a ninguém (nem a textos sagrados, nem a autoridades morais e religiosas) e, ao mesmo tempo, 2) evitamos o exercício (aflitivo) de nosso foro íntimo. Qual é o truque? Como Michel Foucault cansou de repetir, o truque consiste em deixar as decisões para ciências e disciplinas que administram nossa vida em prol de nossa saúde (e, portanto, para o nosso bem, não é?).”

O que quero é conhecer esse sujeito neoliberal como Foucault fala e como acontece a sua relação com o consumo – essa relação com o consumo influencia na relação com o grupo que reconhece como membro e ao mesmo o sujeito reconhece o grupo que se insere para representá-lo?

Soneto à Rosa Preciosa

•agosto 25, 2012 • Deixe um comentário

Não há sorriso de rosa

Mais belo no meu olhar,

Nos olhos canção formosa

Como rio beijando o mar.

 

Jeito simples se faz de prosa

Simplicidade tão difícil de encontrar,

Quem és tu rosa preciosa

Que meu navio faz navegar.

 

Que o pássaro do pensamento

Crie asas e tome cor,

Que as palavras marquem o momento

 

Da despedida da dor,

Chegara a hora que finda o lamento

Em teus braços, eu, beija-flor.

 

Andson Carlos Lacerda Coutinho “LT”

O peso e duas medidas

•junho 29, 2012 • Deixe um comentário

A solidão, os motivos e os pensamentos;

O vazio, a circunferência e o todo;

Os cantos e as quatro paredes;

Evito multidões, não gosto de viver na solidão.

O fardo que eu omito foi a minha conquista no tempo;

O erro que acontec(eu)r é por minha culpa;

O olhar do outro é a provação de existência;

O maior desejo não passa de um sonho surreal;

Aprendi que a liberdade é o mundo, mas é também um fardo.

(Paulo Victor Fernandes)

Dizem

•abril 15, 2012 • 1 Comentário

Dizem que para cada quarto
Existem seus cantos,
Que para cada amor perdido
Existem os prantos.
Dizem que para cada primavera
Existem flores a cair,
Que para cada bola de sorvete
Existem crianças a sorrir.
Dizem que para cada grão de areia
Existe uma gota de mar,
Que para cada sonho impossível
Uma chance de acreditar.
Dizem que o amor
É a essência de viver,
E que a essência
É como flor a florescer.
Dizem que a emoção
É o que completa a razão,
Mas a razão não explica
O que diz o coração.
Dizem que para tudo
Existe outra parte,
E que o mergulho é profundo
Quando se conhece tal arte.
Dizem que a alegria do olhar
É o que encanta o entardecer,
E o que resta de mim
Eu só encontro em você.
Andson Carlos Lacerda Coutinho

REALIDADE VIRTUAL

•março 29, 2012 • Deixe um comentário

   (Ana Alice Furtado Soares)

    Na era da informação em que dispomos dos mais diversos meios tecnológicos, quer sejam redes sociais, microblog’s, sites e afins. Onde se abre a possibilidade de “liberdade de expressão”, percebo essa curta distância que separa o real do virtual. Tudo bem ! As coisas acontecem aqui e são transmitidas no espaço de tempo chamado: AGORA. Ganham repercussão num curto prazo, desbravam largas distâncias… Mas isso em tempos mais remotos, só a fofoca.

    O virtual acompanha simultaneamente o real, proporcionando que saíamos do anonimato e passemos a seres públicos ao fazermos uso dessa ferramenta. Exibe-se uma pluralidade de vozes, mas isso não quer dizer uníssonas, geralmente, destoantes. É o que acontece costumeiramente nas redes sociais e fora delas também. Sem falar das vezes que damos uma maquiada no real, ressaltamos pontos positivos,e nesse conjunto vamos fazendo a nossa autopromoção ou autodestruição. Afinal, quem nunca na hora de postar uma foto numa  rede social passou  por um processo de seleção? Eu, sou ainda pior, tenho como filosofia: _ Deixa eu, pelo menos, ser bonita no facebook.  Lógico que se perde a naturalidade, qualquer olho fechado, boca semiaberta … E a foto some da câmera. No real, não existe essa de melhor ângulo, melhor perfil. Estamos sujeitos ao acaso da nossa imperfeição, mas ainda assim permanecemos vendedores de nossa própria imagem.

    Não, eu não sou nenhuma perita em redes sociais. Acho que deveríamos seguir um princípio básico: O direito de um acaba quando a do outro começa. Mas confesso, foi com o uso das redes sociais (precisamente: orkut e facebook) que tive acesso ao nomes mais exóticos. Esses dias mesmo a Ellenfantinny me adicionou. Mas aproveito a oportunidade para deixar um recado: Facebookson, quando crescer me adiciona, viu?! Ah!  A ferramenta curtir do facebook, por exemplo. Reduzia seu significado a um mero : Gostei!  Mas num certo dia, reavaliei meu conceito. Alguém postou: _”Triste”. E, de imediato, três pessoas curtiram. Pensei eu: _ Poucos inimigos! Mas eu preferi  teorizar sobre o assunto: Se a pessoa fazia parte da lista de amigos, essa possibilidade de inimizade inicialmente descartada. A ferramenta curtir, funcionava como uma espécie de compartilho do mesmo sentimento que você. Enfim, nos faz perceber quão vasta são as opiniões e interpretações que povoam a mente das pessoas. Mas em contrapartida, percebo a nossa intolerância com o pensamento alheio. Principalmente quando esse pensamento é discordante. Mas se é assim tão intolerável, nas redes sociais tem uma saída viável e prática : Excluir, bloquear.

    Mas o que me faz questionar e resgatar ao início do texto: Por qual razão precisamos vender nossa imagem? Por qual razão nos tornamos reféns da “nossa audiência”?  Talvez na tentativa de se construir uma boa imagem, podemos nos perder no meio desse processo. Afinal a audiência é vasta , o espetáculo é longo. E eu não sou muito boa nessa história de ser garota-propaganda.

Soneto ao Mergulho no Mar do Amor

•janeiro 20, 2012 • Deixe um comentário

Não há desejo mais cruel que mergulhar

Na profundidade do sabor que encontrei,

Que momentos tão lúcido sonhei,

Um beijo que me fizera navegar.

 

Às margens do oceano do seu mar

Como ilha, tão perdido, me encontrei,

Você banhou com doce sabor e eu não acordei,

Meu sonho de desejo a naufragar.

 

Meu doce oceano de amor

Quem dera viver e não morrer de lamento

Meu doce oceano de sabor

 

Quem dera provar e livrar-me do lamento

De te ter e não mergulhar no desamor

Pois te beijar é viver a eternidade em apenas um momento.

 

Andson Carlos Lacerda Coutinho